<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693</id><updated>2012-02-16T06:08:52.844-08:00</updated><title type='text'>Bisaco de Textos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-3827732459397706425</id><published>2010-09-01T15:11:00.000-07:00</published><updated>2010-09-01T15:11:24.464-07:00</updated><title type='text'>Chapeuzinho Vermelho</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q4dOJSWq7JA/SN4mUdWHFuI/AAAAAAAAAHg/0dq54rVM1bo/s1600/chapeuzinho-vermelho%5B1%5D.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="350" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q4dOJSWq7JA/SN4mUdWHFuI/AAAAAAAAAHg/0dq54rVM1bo/s400/chapeuzinho-vermelho%5B1%5D.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;Millor Fernandes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-3827732459397706425?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/3827732459397706425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/09/chapeuzinho-vermelho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3827732459397706425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3827732459397706425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/09/chapeuzinho-vermelho.html' title='Chapeuzinho Vermelho'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Q4dOJSWq7JA/SN4mUdWHFuI/AAAAAAAAAHg/0dq54rVM1bo/s72-c/chapeuzinho-vermelho%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-3304403879059245486</id><published>2010-07-12T17:53:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T18:03:59.643-07:00</updated><title type='text'>A estante</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/TDu7coI0mYI/AAAAAAAAAXo/t6Ye_X09zgE/s1600/ferreira_gullar+modified.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 120px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/TDu7coI0mYI/AAAAAAAAAXo/t6Ye_X09zgE/s200/ferreira_gullar+modified.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493190270993602946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/11/ferreira-gullar.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;Ferreira Gullar&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria &lt;/div&gt;&lt;div&gt;um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande mas dava para armar ali a minha tenda de reflexões e leitura: uma escrivaninha, um sofá e os livros. Na parede da esquerda ficaria a grande e sonhada estante que caberia todos os meus livros. Tratei de encomendá-la a seu Joaquim, um marceneiro que tinha oficina na rua Garcia D'Avila com Barão da Torre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O apartamento não ficava tão perto da oficina. Era quase em frente ao prédio onde morava Mário Pedrosa, entre a Farme de Amoedo e a antiga Montenegro, hoje Vinicius de Moraes. Estava ali há uma semana e nem decorara ainda o número do prédio. Tanto que, quando seu Joaquim, ao preencher a nota da encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante, tive um momento de hesitação. Mas foi só um momento. Pensei rápido: "Se o prédio do Mário é 228, o meu, que fica quase em frente, deve ser 227. "Mas lembrei-me de que, ao ir ali pela primeira vez, observara que, apesar de ficar em frente ao do Mário, havia uma diferença na numeração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Visconde de Pirajá 127 —  respondi, e seu Joaquim desenhou o endereço na nota.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Tudo bem, seu Ferreira. Dentro de um mês estará lá sua estante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Um mês, seu Joaquim! Tudo isso? Veja se reduz esse prazo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— A estante é grande, dá muito trabalho... Digamos, três semanas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Contei as semanas. Não via chegar o momento de ter no escritório a estante sonhada, onde enfim poderia arrumar os livros por assunto e autores. E,mais que isso, sentir-me um escritor de verdade, um profissional, cercado de livros por todos os lados. No dia da entrega, voltei do trabalho apressado para ver minha estante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Como é, veio? — perguntei ao entrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Veio o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Como o quê? A estante!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não viera. Seu Joaquim não cumprira com a palavra empenhada, ah português filho de... Telefonei para ele sem dissimular, no tom da voz, minha irritação. E ele:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Como não cumpri? Andei com dois homens de cima para baixo da rua e não encontrei o tal número que o senhor me indicou. Não existe na rua Visconde de Pirajá o número 127, senhor Ferreira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei sem ação. Dera a ele o número errado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Diga-me o número certo e sua estante estará em sua casa amanhã mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei sem palavra. Se não era 127, qual número seria? Não era 227, disso &lt;/div&gt;&lt;div&gt;tinha certeza... E o Joaquim ao telefone:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Qual o número, seu Ferreira?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— É 217, seu Joaquim... É isso, 217.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Muito bem, 217. Já anotei. Amanhã terá sua estante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tive. Ao chegar em casa e verificar que a estante não estava lá, conclui que havia dado de novo o número errado ao marceneiro. E corri para o telefone a fim de me desculpar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Seu Joaquim, é o senhor Ferreira... da estante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O senhor está querendo brincar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui tomado por um frouxo de riso, enquanto seu Joaquim, indignado, dizia que não ia mais entregar estante nenhuma, que eu fosse buscá-la, pois já era a segunda vez que subira e descera a Visconde de Pirajá, carregando aquela estante enorme, etc. etc...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-3304403879059245486?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/3304403879059245486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/07/estante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3304403879059245486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3304403879059245486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/07/estante.html' title='A estante'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/TDu7coI0mYI/AAAAAAAAAXo/t6Ye_X09zgE/s72-c/ferreira_gullar+modified.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-200274615339958213</id><published>2010-06-21T09:47:00.001-07:00</published><updated>2010-06-21T09:49:15.931-07:00</updated><title type='text'>A partida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://xicoriasexicoracoes.files.wordpress.com/2007/04/solidao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 480px; height: 312px;" src="http://xicoriasexicoracoes.files.wordpress.com/2007/04/solidao.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Osman Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.&lt;br /&gt;Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acordado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhou o lençol e ia cobrir-me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei-lhe as costas.&lt;br /&gt;Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir-me, persistente, desagradável — imagens de febre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava-se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei pela madrugada. A princípio com tranqüilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei-lhe no ombro, ela se moveu, descobriu-se. Quis levantar-se e eu procurei detê-la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou-se. Ralhava comigo por não tê-la despertado antes, acusava-se de ter dormido muito. Tentava sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples idéia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-200274615339958213?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/200274615339958213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/06/partida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/200274615339958213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/200274615339958213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/06/partida.html' title='A partida'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-5508239447919133116</id><published>2010-04-28T08:23:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T08:30:55.116-07:00</updated><title type='text'>Despedidas de um homem casado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/__piYtVpBxKc/Sdf3wF9c4UI/AAAAAAAAANk/bb43s32QHwc/s400/homem+triste.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 231px; height: 308px;" src="http://2.bp.blogspot.com/__piYtVpBxKc/Sdf3wF9c4UI/AAAAAAAAANk/bb43s32QHwc/s400/homem+triste.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por Paulo Rebelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parece, mas toda mudança me parte o coração. Seja de bairro, cidade ou país. Seja em lugares onde morei cinco anos, cinco meses ou até mesmo cinco semanas, como já aconteceu certa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do dia em que cortaram meu umbigo gordo até hoje, são 14 mudanças de CEP. Com exceção de uma, na qual ainda era muito guri, lembro de todas as outras 13 como se fosse hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais desregrados que tentemos ser, sempre sobra saudade por abandonar as poucas raízes que a gente deixa pelo caminho. E me pergunto se vamos voltar a nos encontrar um dia, nem que seja para um café com bolo de bacia na padaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o garçom no bar da esquina que já se considera um amigo e fala dos problemas domésticos, pede conselhos e sempre lhe consegue um pedaço extra de bife sem cobrar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o porteiro que está sempre dormindo quando você chega bêbado e fica no meio da rua, esperando ele acordar e abrir o portão, como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o zelador evangélico que lhe acha um devasso. A secretária que abre um sorriso largo quando lhe vê, por causa do bombom de cupuaçu. A atendente da livraria onde você sempre vai e nunca compra nada, mas troca um alô de vez em quando e compra uma caneta Bic porque elas sempre se perdem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as pessoas que, anos depois, ainda se espantam quando você toma café ou suco de limão sem açúcar. Os colegas de trabalho que sempre conseguem lhe arrancar risadas na hora do almoço e nunca se acostumam com seu jeito limão sem açúcar de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O taxista que pergunta "para onde vamos" e você pode simplesmente dizer "para casa". Não por piada, mas porque às vezes a gente realmente não sabe onde está ou para onde ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a cobradora do ônibus que descobriu como você ganha seu pão e sempre pergunta quando você vai entrevistar o pagodeiro Belo e trazer um autógrafo dele. Mas se for do Alexandre Pires (ele ainda vive?) também serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o cabeludo da banca de revistas que deixa você ler quase tudo em troca de umas cigarrilhas holandesas. A faxineira que não entende como você sobrevive em meio aquela bagunça toda e com a geladeira quase sempre vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as moças bonitas (ou não) que você conhece e, mesmo sabendo que não estaremos ali durante muito tempo, conseguem superar a eterna expectativa do compromisso sério e da casa própria, talvez porque enxerguem alguma coisa em você que provavelmente nenhum dos dois saiba ao certo o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez na esperança que a mudança de hoje seja a última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda há tantas cidades para conhecer, tanta gente com tanta coisa para lhe ensinar. E todas essas pessoas estão em todos esses lugares, tudo sempre igual e tudo sempre diferente ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias podem ser todas iguais, mas são contadas de diferentes maneiras. Difícil saber se, a cada mudança, vamos aprender menos ou mais com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas raízes seguem firmes e fortes, outras se quebram completamente, seja pela morte da esperança de que fosse a última mudança, seja pelo esquecimento de um reles passatempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é sempre uma tristeza, quase um divórcio, quando você contabiliza quantas dessas pessoas vão parar de lhe ver e nunca vão saber o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas vão continuar lhe esperando no bar, no restaurante, na livraria, no interfone da portaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você não vai chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai parar de tomar aquele café, de comer aquele bife, de abraçar o porteiro da sua terra quando o Sport Recife ganha uma partida, de brincar com as religiões alheias, de tentar mostrar às jovens donzelas que talvez exista um vasto mundo novo lá fora, que vai muito além de um emprego fixo, um carro na garagem e um homem para chamar de seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a gente nunca tem tempo de conferir de verdade se conseguimos ensinar algo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando você chega em um novo bairro, vizinhança ou cidade, começa tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase como um casamento. Você vai descobrindo, aos poucos, aqueles detalhes mais escondidos, aquelas curvas mais sinuosas. Vai criando intimidade com as pessoas que lhe cercam, vai entendendo o modo de pensar delas, as necessidades, frustrações, esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto todos se entendem, o casamento dura um bocado. No dia de ir embora e cada um seguir o seu caminho, nem sempre as pessoas vão lembrar de todos os momentos bons que passamos juntos, de tudo que aprendemos um com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes fica aquela lembrança boa, aquela saudade gostosa. Às vezes algumas mágoas, quiçá muitas raivas. Mas não haverá despedida, geralmente nunca há. Estamos aqui um dia, no outro deixamos um bilhete. Ou um e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a pouco tempo aparece outro viajante, outro eremita, outro limão sem açúcar, outro ranzinza na vida de todas essas pessoas que a gente deixou para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começa tudo outra vez. Até a hora de ir ali comprar cigarro de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* texto retirado do Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4402147-EI14598,00-Despedidas+de+um+homem+casado.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-5508239447919133116?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/5508239447919133116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/despedidas-de-um-homem-casado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/5508239447919133116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/5508239447919133116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/despedidas-de-um-homem-casado.html' title='Despedidas de um homem casado'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__piYtVpBxKc/Sdf3wF9c4UI/AAAAAAAAANk/bb43s32QHwc/s72-c/homem+triste.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-7488107566216326091</id><published>2010-04-22T06:32:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T06:42:03.991-07:00</updated><title type='text'>Suicídio na granja</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qvrlkfO5cMo/Swq9lM22ojI/AAAAAAAAA-w/SrKNo0evFag/s400/ganso.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 156px; height: 198px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qvrlkfO5cMo/Swq9lM22ojI/AAAAAAAAA-w/SrKNo0evFag/s400/ganso.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;* Lygia Fagundes Teles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns se justificam e se despedem através de cartas, telefonemas ou pequenos gestos — avisos que podem ser mascarados pedidos de socorro. Mas há outros que se vão no mais absoluto silêncio. Ele não deixou nem ao menos um bilhete?, fica perguntando a família, a amante, o amigo, o vizinho e principalmente o cachorro que interroga com um olhar ainda mais interrogativo do que o olhar humano, E ele?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suicídio por justa causa e sem causa alguma e aí estaria o que podemos chamar de vocação, a simples vontade de atender ao chamado que vem lá das profundezas e se instala e prevalece. Pois não existe a vocação para o piano, para o futebol, para o teatro. Ai!... para a política. Com a mesma força (evitei a palavra paixão) a vocação para a morte. Quando justificada pode virar uma conformação, Tinha os seus motivos! diz o próximo bem informado. Mas e aquele suicídio que (aparentemente) não tem nenhuma explicação? A morte obscura, que segue veredas indevassáveis na sua breve ou longa trajetória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez ouvi a palavra suicídio quando ainda morava naquela antiga chácara que tinha um pequeno pomar e um jardim só de roseiras. Ficava perto de um vilarejo cortado por um rio de águas pardacentas, o nome do vilarejo vai ficar no fundo desse rio. Onde também ficou o Coronel Mota, um fazendeiro velho (todos me pareciam velhos) que andava sempre de terno branco, engomado. Botinas pretas, chapéu de abas largas e aquela bengala grossa com a qual matava cobras. Fui correndo dar a notícia ao meu pai, O Coronel encheu o bolso com pedras e se pinchou com roupa e tudo no rio! Meu pai fez parar a cadeira de balanço, acendeu um charuto e ficou me olhando. Quem disse isso? Tomei o fôlego: Me contaram no recreio. Diz que ele desceu do cavalo, amarrou o cavalo na porteira e foi entrando no rio e enchendo o bolso com pedra, tinha lá um pescador que sabia nadar, nadou e não viu mais nem sinal dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai baixou a cabeça e soltou a baforada de fumaça no ladrilho: Que loucura. No ano passado ele já tinha tentado com uma espingarda que falhou, que loucura! Era um cristão e um cristão não se suicida, ele não podia fazer isso, acrescentou com impaciência. Entregou-me o anel vermelho-dourado do charuto. Não podia fazer isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfiei o anel no dedo, mas era tão largo que precisei fechar a mão para retê-lo. Mimoso veio correndo assustado. Tinha uma coisa escura na boca e espirrava, o focinho sujo de terra. Vai saindo, vai saindo!, ordenei fazendo com que voltasse pelo mesmo caminho, a conversa agora era séria. Mas pai, por que ele se matou, por quê?! fiquei perguntando. Meu pai olhou o charuto que tirou da boca. Soprou de leve a brasa: Muitos se matam por amor mesmo. Mas tem outros motivos, tantos motivos, uma doença sem remédio. Ou uma dívida. Ou uma tristeza sem fim, às vezes começa a tristeza lá dentro e a dor na gaiola do peito é maior ainda do que a dor na carne. Se a pessoa é delicada, não agüenta e acaba indo embora! Vai embora, ele repetiu e levantou-se de repente, a cara fechada, era o sinal: quando mudava de posição a gente já sabia que ele queria mudar de assunto. Deu uma larga passada na varanda e apoiou-se na grade de ferro como se quisesse examinar melhor a borboleta voejando em redor de uma rosa. Voltou-se rápido, olhando para os lados. E abriu os braços, o charuto preso entre os dedos: Se matam até sem motivo nenhum, um mistério, nenhum motivo! repetiu e foi saindo da varanda. Entrou na sala. Corri atrás. Quem se mata vai pro inferno, pai? Ele apagou o charuto no cinzeiro e voltou-se para me dar o pirulito que eu tinha esquecido em cima da mesa. O gesto me animou, avancei mais confiante: E bicho, bicho também se mata? Tirando o lenço do bolso ele limpou devagar as pontas dos dedos: Bicho, não, só gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só gente? — eu perguntei a mim mesma muitos e muitos anos depois, quando passava as férias de dezembro numa fazenda. Atrás da casa-grande tinha uma granja e nessa granja encontrei dois amigos inseparáveis, um galo branco e um ganso também branco mas com suaves pinceladas cinzentas nas asas. Uma estranha amizade, pensei ao vê-los por ali, sempre juntos. Uma estranhíssima amizade. Mas não é a minha intenção abordar agora problemas de psicologia animal, queria contar apenas o que vi. E o que vi foi isso, dois amigos tão próximos, tão apaixonados, ah! como conversavam em seus longos passeios, como se entendiam na secreta linguagem de perguntas e respostas, o diálogo. Com os intervalos de reflexão. E alguma polêmica mas com humor, não surpreendi naquela tarde o galo rindo? Pois é, o galo. Esse perguntava com maior freqüência, a interrogação acesa nos rápidos movimentos que fazia com a cabeça para baixo, e para os lados, E então? O ganso respondia com certa cautela, parecia mais calmo, mais contido quando abaixava o bico meditativo, quase repetindo os movimentos da cabeça do outro mas numa aura de maior serenidade. Juntos, defendiam-se contra os ataques, não é preciso lembrar que na granja travavam-se as mesmas pequenas guerrilhas da cidade logo adiante, a competição. A intriga. A vaidade e a luta pelo poder, que luta! Essa ânsia voraz que atiçava os grupos, acesa a vontade de ocupar um espaço maior, de excluir o concorrente, época de eleições? E os dois amigos sempre juntos. Atentos. Eu os observava enquanto trocavam pequenos gestos (gestos?) de generosidade nos seus infindáveis passeios pelo terreiro, Hum! olha aqui esta minhoca, sirva-se à vontade, vamos, é sua! — dizia o galo a recuar assim de banda, a crista encrespada quase sangrando no auge da emoção. E o ganso mais tranqüilo (um fidalgo) afastando-se todo cerimonioso, pisando nas titicas como se pisasse em flores, Sirva-se você primeiro, agora é a sua vez! E se punham tão hesitantes que algum frango insolente, arvorado a juiz, acabava se metendo no meio e numa corrida desenfreada levava no bico o manjar. Mas nem o ganso com seus olhinhos redondamente superiores nem o galo flamante — nenhum dos dois parecia dar maior atenção ao furto. Alheios aos bens terreirais, desligados das mesquinharias de uma concorrência desleal, prosseguiam o passeio no mesmo ritmo, nem vagaroso nem apressado, mas digno, ora, minhocas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grandes amigos, hem?, comentei certa manhã com o granjeiro que concordou tirando o chapéu e rindo, Eles comem aqui na minha mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando achei que ambos mereciam um nome assim de acordo com suas nobres figuras, e ao ganso, com aquele andar de pensador, as brancas mãos de penas cruzadas nas costas, dei o nome de Platão. Ao galo, mais questionador e mais exaltado como todo discípulo, eu dei o nome de Aristóteles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia (também entre os bichos, um dia) houve o grande jantar na fazenda e do qual não participei. Ainda bem. Quando voltei vi apenas o galo Aristóteles a vagar sozinho e completamente desarvorado, os olhinhos suplicantes na interrogação, o bico entreaberto na ansiedade da busca, Onde, onde?!... Aproximei-me e ele me reconheceu. Cravou em mim um olhar desesperado, Mas onde ele está?! Fiz apenas um aceno ou cheguei a dizer-lhe que esperasse um pouco enquanto ia perguntar ao granjeiro: Mas e aquele ganso, o amigo do galo?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que prosseguir, de que valem os detalhes? Chegou um cozinheiro lá de fora, veio ajudar na festa, começou a contar o granjeiro gaguejando de emoção. Eu tinha saído, fui aqui na casa da minha irmã, não demorei muito mas esse tal de cozinheiro ficou apavorado com medo de atrasar o jantar e nem me esperou, escolheu o que quis e na escolha, acabou levando o coitado, cruzes!... Agora esse daí ficou sozinho e procurando o outro feito tonto, só falta falar esse galo, não come nem bebe, só fica andando nessa agonia! Mesmo quando canta de manhãzinha me representa que está rouco de tanto chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o banquete de Platão, pensei meio nauseada com o miserável trocadilho. Deixei de ir à granja, era insuportável ver aquele galo definhando na busca obstinada, a crista murcha, o olhar esvaziado. E o bico, aquele bico tão tagarela agora pálido, cerrado. Mais alguns dias e foi encontrado morto ao lado do tanque onde o companheiro costumava se banhar. No livro do poeta Maiakóvski (matou-se com um tiro) há um verso que serve de epitáfio para o galo branco: Comigo viu-se doida a anatomia / sou todo um coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto extraído do livro “Invenção e Memória”, Editora Rocco Ltda. – Rio de Janeiro, 2000, pág. 17.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-7488107566216326091?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/7488107566216326091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/suicidio-na-granja.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7488107566216326091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7488107566216326091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/suicidio-na-granja.html' title='Suicídio na granja'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qvrlkfO5cMo/Swq9lM22ojI/AAAAAAAAA-w/SrKNo0evFag/s72-c/ganso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-7237703305911662405</id><published>2010-04-07T08:33:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T08:36:01.057-07:00</updated><title type='text'>PROPAGANDA DO AMOR OU AMOR DE PROPAGANDA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://almapanada.blogs.sapo.pt/arquivo/Romance_01.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 443px; height: 355px;" src="http://almapanada.blogs.sapo.pt/arquivo/Romance_01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Retirado de: http://carpinejar.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há casais contra qualquer ostentação. Não realizam propaganda do seu amor. Não narram vantagens, não se elogiam em público, não descrevem o que ele ou ela preparou de especial na noite anterior, não geram ciúme, muito menos inveja entre os amigos. Não se derramam em abraços de aeroporto em cada esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os casais ideais, certo? Talvez durem para sempre, o que não traduz perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como ser feliz sem merchandising do que se está vivendo. Sem morder a língua. Sem fofoca. Sem contar um pouco mais. É pensar e divulgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é público, desde quando se estendeu a mão pela primeira vez com muito nervosismo para andar na rua com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe como disfarçar. Sensibilidade controlada é indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos graves traumas afetivos é a falta de amor pelo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pares se amam, mas estão descontentes por amar. Não desejavam estar amando. É um amor contrariado, um amor dissidente. Como uma maldição: Por que foi acontecer comigo logo agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se a companhia não fosse apropriada. Ou que não devia ter surgido naquele momento, é bem capaz de atrapalhar os negócios ou a vontade de viajar e de ser livre. Ou porque é diferente e não responde automaticamente. Perderemos tempo, perderemos a agilidade que tanto nos caracterizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se enxergam abençoados, e sim traídos pelo destino. Não tratam de alardear seu relacionamento como um feriado de sol. Por receio ou insegurança, não se orgulham da companhia. Nunca falarão: estou com quem sonhei, é perfeito para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não identificam que já têm o mais complicado, que o restante é simples: um cartão, um torpedo, uma cartinha, uma lembrança, um prato predileto, um capricho, um colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amam ao mesmo tempo em que odeiam. Amam ser, odeiam estar. Por aquilo que a convivência exige, pelo mal-estar de uma conversa truncada, pelo ciúme passivo e sempre existente, pela necessidade de telefonar e de se apaziguar, pela dependência ruidosa e ávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ama alguém, mas odeia o amor não terá paciência. Entrará num clima de cobrança permanente, de suspeita irremediável. Conhece como o par fica irritado e trata de testar os limites. Não agrada para criar contrariedade e arrecadar sinais do fim. Quer se livrar do amor, não do outro, mas o amor está no outro que acaba pagando a conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegue se separar, tampouco se entrega verdadeiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando está em paz, enlouquece. Quando está estressado, age com distração e depois reclama da cobrança. Ou cobra a cobrança. Ou antecipa a cobrança que não viria. A briga está condicionada a uma postura catastrófica. Mobilizado a provar que não tem mais jeito. Em vez de elogiar, reclama. Em vez de se declarar, ironiza. Em vez de confiar, pragueja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher pode amá-lo, o homem pode amá-la, só que ambos não amam o próprio sentimento. Cada um não se ama por amar. Não basta amá-la, tem que se amar por amá-la. Não basta amá-lo, tem que se amar por amá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a reflexão não termina por aqui. Caso contraiu piedade do que não ama o amor, há ainda um tipo mais terrível: aquele que ama o amor, mas não ama seu parceiro. Ama seu modo de amar e não aceita mais nada. Faz o amor de propaganda, que é o contrário de fazer propaganda do amor. Experimenta um delírio romântico. Tudo o que o outro oferece não é do jeito conhecido, portanto não serve. Alimenta uma insatisfação constante, autoritária, como um diretor que recusa o improviso de seus atores e manda repetir a cena. Não reconhece os gestos mais naturais e singelos. Sufoca o que vive de fato pela pressa de um cartão-postal. Funciona na base do escândalo: da serenata na janela, da Kombi do aniversário, dos presentes imensos e das provas vistosas. Será insaciável, pressionando para receber o que somente ele imaginou (e nunca confessou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um desalmado da privacidade, um amante genérico, porque ama demais a si para amar quem quer que seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-7237703305911662405?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/7237703305911662405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/propaganda-do-amor-ou-amor-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7237703305911662405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7237703305911662405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/04/propaganda-do-amor-ou-amor-de.html' title='PROPAGANDA DO AMOR OU AMOR DE PROPAGANDA'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-1091241095124601854</id><published>2010-03-28T12:02:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T12:04:20.072-07:00</updated><title type='text'>Pensamentos que reúnem um tema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://jornale.com.br/horoscopo/wp-content/uploads/2009/10/adalgisanery.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 149px; height: 149px;" src="http://jornale.com.br/horoscopo/wp-content/uploads/2009/10/adalgisanery.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Adalgisa Nery&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,&lt;br /&gt;Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória&lt;br /&gt;E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.&lt;br /&gt;Estou pensando nos que vivem a vida&lt;br /&gt;Na previsão do impossível&lt;br /&gt;E nos que esperam o céu&lt;br /&gt;Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.&lt;br /&gt;Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões&lt;br /&gt;E nos poetas que correm indefinidamente&lt;br /&gt;Em busca da lucidez dos que possam atingir&lt;br /&gt;A festa dos sentidos nas simples emoções.&lt;br /&gt;Estou pensando num olhar profundo&lt;br /&gt;Que me revelou uma doce e estranha presença,&lt;br /&gt;Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim&lt;br /&gt;Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias&lt;br /&gt;Não sentiram o seu mistério impenetrável,&lt;br /&gt;Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas&lt;br /&gt;Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,&lt;br /&gt;Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,&lt;br /&gt;Nas mulheres que correm mundo&lt;br /&gt;Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,&lt;br /&gt;Nos homens cujo sentimento de adeus&lt;br /&gt;Se repete em todos os segundos de suas existências,&lt;br /&gt;Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos&lt;br /&gt;A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.&lt;br /&gt;Estou pensando um pensamento constante e doloroso&lt;br /&gt;E uma lágrima de fogo desce pela minha face:&lt;br /&gt;De que nada sou para o que fui criada&lt;br /&gt;E como um número ficarei&lt;br /&gt;Até que minha vida passe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-1091241095124601854?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/1091241095124601854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/03/pensamentos-que-reunem-um-tema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/1091241095124601854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/1091241095124601854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/03/pensamentos-que-reunem-um-tema.html' title='Pensamentos que reúnem um tema'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-8997934006496173857</id><published>2010-03-08T11:33:00.000-08:00</published><updated>2010-03-08T11:36:17.061-08:00</updated><title type='text'>Se eu fosse o mar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://marius70.no.sapo.pt/b-o%20mar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 256px; height: 153px;" src="http://marius70.no.sapo.pt/b-o%20mar.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por Hugo de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Quando estou quase desperto, fico mais próximo do mundo dos sonhos e parece que a imaginação corre solta, então incorporo idéias e viajo de modo a vivenciar um mundo paradisíaco. Hoje porém ambiciono mais, vivo mais e divido meu sonho:qual seja, a tal idéia de ser outro sujeito. Assim navego em mim mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse o mar, uma conjectura pouco tímida e fascinante na verdade, pois a possibilidade me trouxe tantas questões quantas foram as ondas que em uma breve olhada pude perceber em meu litoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-me principalmente onde e em qual lugar existiria; em qual litoral aportaria e a quem acolheria em abraços próximos e salgados? Qual areia revolveria se eu fosse mar? Quantas idéias me inquietaram o espírito e me transportaram para longe de mim mesmo, de tal modo que em pouco tempo havia percorrido um mundo abissal, frio e misterioso das profundezas salgadas e me aquietado em sua superfície calma, brilhante, transparente e cheia de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voei sobre minha superfície, nadei em minhas águas mornas e frias e salgadas, e também mergulhei em mim mesmo ao lado de peixes e plantas marinhas...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri com esperança a idéia de me conhecer, mas, doce ilusão até perceber quão profundo e desconhecido eu sou, ou melhor,  somos, pois que  plural nós somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei contudo que encontraria quem perdido estivesse em um barco qualquer e sei também que feliz eu-mar refletiria o sol, a lua e estrelas. Banhar-me-ia em água doce durante a tempestade e alimentaria peixes e planctons e mamíferos e rochas, pois que a vida é plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse o mar  me reconheceria plural e singular, pois que ninguém existe por si só.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-8997934006496173857?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/8997934006496173857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/03/se-eu-fosse-o-mar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/8997934006496173857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/8997934006496173857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/03/se-eu-fosse-o-mar.html' title='Se eu fosse o mar'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-3564082079405247594</id><published>2010-02-19T09:18:00.001-08:00</published><updated>2010-02-19T09:19:52.259-08:00</updated><title type='text'>Náufrago</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://itodas.uol.com.br/wp-content/themes/itodas/scripts/timthumb.php?src=http://itodas.uol.com.br/files/2010/02/stella-florence.JPG&amp;amp;h=auto&amp;amp;w=300&amp;amp;zc=1"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 132px; height: 199px;" src="http://itodas.uol.com.br/wp-content/themes/itodas/scripts/timthumb.php?src=http://itodas.uol.com.br/files/2010/02/stella-florence.JPG&amp;amp;h=auto&amp;amp;w=300&amp;amp;zc=1" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;" class="mtext"&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por Stella Florence&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 1955, o destróier colombiano “Caldas” emborcou no Caribe e oito tripulantes desapareceram no mar. Apenas um sobreviveu. Luís Alexandre Velasco ficou 10 dias numa balsa à deriva, sem água e sem comida, até chegar, semimorto, a uma praia deserta ao norte da Colômbia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após ter sido, a contragosto, transformado em herói pela então ditadura militar do país, Velasco ofereceu sua história ao jornal “El Espectador”. Para escrever seu depoimento, um repórter iniciante foi designado: Gabriel García Márquez, hoje um dos maiores escritores do planeta. Por conta dessa matéria, publicada em capítulos, o jornal foi fechado e García Márquez teve que se exilar em Paris. Velasco perdeu o cargo na Marinha e a fama recente. Mas onde estão o amor e o sexo, afinal? Estão no último parágrafo: confie em mim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Peço agora que você pare e entre um instante na pele do náufrago. É quase meio-dia quando o destróier emborca. Velasco se agarra a uma balsa. Três de seus amigos se debatem ao redor. Inutilmente, ele tenta salvá-los: em minutos, todos desaparecem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sozinho, Velasco acredita que o resgate não demorará. Olhos fixos no horizonte, ele acompanha o pôr-do-sol, a noite escura e o nascer de um novo dia. Aparecem aviões: três ao todo. O último deles esteve tão perto, enquanto Velasco agitava sua camisa no ar, que ele teve certeza de que havia sido visto. Mas não havia. Às cinco da tarde chegam os primeiros tubarões. Brilho de luzes na superfície do mar: apenas um novo nascer do sol. Desespero, fome, sede, dificuldade para respirar, dor, sono, a pele fervendo em bolhas. Outro dia, um navio aparece no horizonte. Velasco rema furiosamente contra o vento, mas o navio se afasta sem vê-lo. No quinto dia, torturado pela fome, Velasco captura com as mãos uma gaivota. No entanto, mesmo há tantos dias sem comer, ele percebe que não é capaz de comer qualquer coisa. Um novo dia, ondas altíssimas. A balsa vira. Velasco nada em agonia, consegue alcançá-la e se amarra ao estrado com o próprio cinto. A balsa emborca de novo e ele quase se afoga preso debaixo dela. Sorte os tubarões estarem longe naquele momento. No dia seguinte, Velasco come os cartões de papel molhados que tinha no bolso e sente algum conforto. Depois, tenta comer nacos do seu cinto e sapatos, mas eles são duros demais. Um grande peixe pula dentro da balsa tentando escapar dos tubarões. Velasco prova apenas dois bocados da carne crua antes que um tubarão o ataque roubando o peixe e engolindo seu remo. Outro dia, alucinações: o acidente se repete minuto a minuto. A água muda de cor e Velasco supõe estar perto da terra. Porém, mais um dia se passa sem que apareça sombra de costa no horizonte. Semi-inconsciente, ele tem certeza de que vai morrer. Nesse instante, vê contornos de coqueiros, mas julga ser apenas delírio. No dia seguinte, porém, os coqueiros estão mais próximos. Velasco decide nadar os dois quilômetros que o separam da costa. Num esforço sobre-humano, ele se arrasta, com o corpo em carne viva, e chega até uma praia deserta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu pedi que você entrasse na pele de Velasco, mas isso foi um blefe. você já está na pele dele. À deriva, sem alimento, sem água, castigada pelo sol, iludida por miragens, rondada por tubarões, com possibilidades de alimento que se mostram intragáveis, com aviões que te sobrevoam, mas não te veem e, ainda assim, você continua sua busca por terra firme. Quando pensa que as suas forças se esgotaram, alguma coisa tola, como gaivotas ou a mudança da cor da água, te traz esperança para continuar. A questão é: quanto mais você aguenta viver à deriva?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Texto extraído do portal Itodas: &lt;a href="http://itodas.uol.com.br/amor-e-sexo/naufrago/"&gt;http://itodas.uol.com.br/amor-e-sexo/naufrago/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-3564082079405247594?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/3564082079405247594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/naufrago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3564082079405247594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3564082079405247594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/naufrago.html' title='Náufrago'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-7653916410040940712</id><published>2010-02-10T11:21:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T11:24:14.566-08:00</updated><title type='text'>O fim é lindo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.bicodocorvo.com.br/wp-content/uploads/2009/04/mulher-antiga-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 154px; height: 171px;" src="http://www.bicodocorvo.com.br/wp-content/uploads/2009/04/mulher-antiga-1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;            &lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;Fabrício Carpinejar&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;             &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;           Minha casa é estranhamente regulada. Quando uma lâmpada queima, as outras vão junto. É             um boicote que aumenta em minutos para testar a paciência. O gás da cozinha falta bem no             momento da janta, e logo de madrugada, com o objetivo de me constranger ao telefone com             uma lista infindável de entregadores. Se o computador estraga, o chuveiro também e o             microondas sofre problemas de circuito. Confio que os aparelhos se imitam e conversam             entre si. Devem reivindicar melhores condições de trabalho e uso, cobrar insalubridade,             ou estão cansados das extensões e da sobrecarga indevidas. O certo é que minha casa é             grevista. Insurgente. Nunca acontece de algo quebrar isoladamente.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Cheguei a minha residência depois de uma série de viagens. E mal acendi a luz, puf, puf,             puf. Meu dedo estalou em cada interruptor. Teve até choque. Foi patético, para não             dizer desanimador. Corredores mexendo as sombras, as paredes escorrendo a cegueira.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Mas, um pouco antes de explodirem, as lâmpadas aumentaram sua fosforescência. Puxaram             todo o resto de força para refulgirem a extinção. Estenderam seus aros como nunca             antes, com a potência de um refletor.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           O mesmo ocorreu com o gás de cozinha, a chama das bocas subiu com perigosa curiosidade.             Poderia ouvir o fogo gemer. Ele escurecia as bordas das panelas com sua assinatura. Quase             formava os dedos de uma mão.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Conclui que o fim é lindo.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Assim como as luzes da casa e do fogão, o amor perto do desastre não se economiza. Não             mais se contém. É desesperadamente transparente.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           Um casal diante do fim terá a grande noite de sua vida por não prever uma próxima.             Sairá do esconderijo porque não se vê mais seguro. Mostrará do que é capaz. Queimará             o que guardou, não fará mais nenhum jogo, esquecerá a sedução e os conselhos dos             amigos. Mais intensidade do que intenção.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           É o escândalo da verdade. Tímidos se transformam em terroristas, calmos ficam             enervados, pacientes se portam como histéricos. Por um instante, não há medo de fazer             as propostas mais desvairadas, confessar palavras reprimidas, estender os olhos como um             lençol limpo.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;           O fim é lindo. Do crepúsculo, de uma vela, de uma chuva. O fim é esperançoso,             exigente. Pancadas de beleza. O som e o sol pulam como um suicida ao avesso para dentro da             vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Texto extraído do site: www.releituras.com.br&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-7653916410040940712?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/7653916410040940712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/o-fim-e-lindo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7653916410040940712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7653916410040940712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/o-fim-e-lindo.html' title='O fim é lindo'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-8892038407481190760</id><published>2010-02-09T11:19:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T11:24:32.604-08:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bainhadefitacrepe.files.wordpress.com/2009/03/clarice-lispector-23.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 238px; height: 235px;" src="http://bainhadefitacrepe.files.wordpress.com/2009/03/clarice-lispector-23.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha — com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e o escolhera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua precaução reduzia-se a tomar cuidado na hora perigosa da tarde, quando a casa estava vazia sem precisar mais dela, o sol alto, cada membro da família distribuído nas suas funções. Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto — ela o abafava com a mesma habilidade que as lides em casa lhe haviam transmitido. Saía então para fazer compras ou levar objetos para consertar, cuidando do lar e da família à revelia deles. Quando voltasse era o fim da tarde e as crianças vindas do colégio exigiam-na. Assim chegaria a noite, com sua tranqüila vibração. De manhã acordaria aureolada pelos calmos deveres. Encontrava os móveis de novo empoeirados e sujos, como se voltassem arrependidos. Quanto a ela mesma, fazia obscuramente parte das raízes negras e suaves do mundo. E alimentava anonimamente a vida. Estava bom assim. Assim ela o quisera e escolhera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Logo um vento mais úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu a seu rosto um ar de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgia-lhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os fios da rede. O cego interrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentando inutilmente pegar o que acontecia. O embrulho dos ovos foi jogado fora da rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal do condutor, o bonde deu a nova arrancada de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão — e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar uma revolução, as grades dos esgotos estavam secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles mergulhara o mundo em escura sofreguidão. Em cada pessoa forte havia a ausência de piedade pelo cego e as pessoas assustavam-na com o vigor que possuíam. Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto. Desviou o olhar, depressa. Na calçada, uma mulher deu um empurrão no filho! Dois namorados entrelaçavam os dedos sorrindo... E o cego? Ana caíra numa bondade extremamente dolorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite - tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de náusea doce, até a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então percebeu que há muito passara do seu ponto de descida. Na fraqueza em que estava, tudo a atingia com um susto; desceu do bonde com pernas débeis, olhou em torno de si, segurando a rede suja de ovo. Por um momento não conseguia orientar-se. Parecia ter saltado no meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma rua comprida, com muros altos, amarelos. Seu coração batia de medo, ela procurava inutilmente reconhecer os arredores, enquanto a vida que descobrira continuava a pulsar e um vento mais morno e mais misterioso rodeava-lhe o rosto. Ficou parada olhando o muro. Enfim pôde localizar-se. Andando um pouco mais ao longo de uma sebe, atravessou os portões do Jardim Botânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava pesadamente pela alameda central, entre os coqueiros. Não havia ninguém no Jardim. Depositou os embrulhos na terra, sentou-se no banco de um atalho e ali ficou muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe via a aléia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o Jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um movimento leve e íntimo a sobressaltou — voltou-se rápida. Nada parecia se ter movido. Mas na aléia central estava imóvel um poderoso gato. Seus pêlos eram macios. Em novo andar silencioso, desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inquieta, olhou em torno. Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que imaginário — era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega — era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada... Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado... O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase noite agora e tudo parecia cheio, pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era fascinante, e ela sentia nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando se lembrou das crianças, diante das quais se tornara culpada, ergueu-se com uma exclamação de dor. Agarrou o embrulho, avançou pelo atalho obscuro, atingiu a alameda. Quase corria — e via o Jardim em torno de si, com sua impersonalidade soberba. Sacudiu os portões fechados, sacudia-os segurando a madeira áspera. O vigia apareceu espantado de não a ter visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não chegou à porta do edifício, parecia à beira de um desastre. Correu com a rede até o elevador, sua alma batia-lhe no peito — o que sucedia? A piedade pelo cego era tão violenta como uma ânsia, mas o mundo lhe parecia seu, sujo, perecível, seu. Abriu a porta de casa. A sala era grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — que nova terra era essa? E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. O menino que se aproximou correndo era um ser de pernas compridas e rosto igual ao seu, que corria e a abraçava. Apertou-o com força, com espanto. Protegia-se tremula. Porque a vida era periclitante. Ela amava o mundo, amava o que fora criado — amava com nojo. Do mesmo modo como sempre fora fascinada pelas ostras, com aquele vago sentimento de asco que a aproximação da verdade lhe provocava, avisando-a. Abraçou o filho, quase a ponto de machucá-lo. Como se soubesse de um mal — o cego ou o belo Jardim Botânico? — agarrava-se a ele, a quem queria acima de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se seguisse o chamado do cego? Iria sozinha... Havia lugares pobres e ricos que precisavam dela. Ela precisava deles... Tenho medo, disse. Sentia as costelas delicadas da criança entre os braços, ouviu o seu choro assustado. Mamãe, chamou o menino. Afastou-o, olhou aquele rosto, seu coração crispou-se. Não deixe mamãe te esquecer, disse-lhe. A criança mal sentiu o abraço se afrouxar, escapou e correu até a porta do quarto, de onde olhou-a mais segura. Era o pior olhar que jamais recebera. Q sangue subiu-lhe ao rosto, esquentando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou-se cair numa cadeira com os dedos ainda presos na rede. De que tinha vergonha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sabia se estava do lado do cego ou das espessas plantas. O homem pouco a pouco se distanciara e em tortura ela parecia ter passado para o lados que lhe haviam ferido os olhos. O Jardim Botânico, tranqüilo e alto, lhe revelava. Com horror descobria que pertencia à parte forte do mundo — e que nome se deveria dar a sua misericórdia violenta? Seria obrigada a beijar um leproso, pois nunca seria apenas sua irmã. Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humilhada, sabia que o cego preferiria um amor mais pobre. E, estremecendo, também sabia por quê. A vida do Jardim Botânico chamava-a como um lobisomem é chamado pelo luar. Oh! mas ela amava o cego! pensou com os olhos molhados. No entanto não era com este sentimento que se iria a uma igreja. Estou com medo, disse sozinha na sala. Levantou-se e foi para a cozinha ajudar a empregada a preparar o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida arrepiava-a, como um frio. Ouvia o sino da escola, longe e constante. O pequeno horror da poeira ligando em fios a parte inferior do fogão, onde descobriu a pequena aranha. Carregando a jarra para mudar a água - havia o horror da flor se entregando lânguida e asquerosa às suas mãos. O mesmo trabalho secreto se fazia ali na cozinha. Perto da lata de lixo, esmagou com o pé a formiga. O pequeno assassinato da formiga. O mínimo corpo tremia. As gotas d'água caíam na água parada do tanque. Os besouros de verão. O horror dos besouros inexpressivos. Ao redor havia uma vida silenciosa, lenta, insistente. Horror, horror. Andava de um lado para outro na cozinha, cortando os bifes, mexendo o creme. Em torno da cabeça, em ronda, em torno da luz, os mosquitos de uma noite cálida. Uma noite em que a piedade era tão crua como o amor ruim. Entre os dois seios escorria o suor. A fé a quebrantava, o calor do forno ardia nos seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o marido veio, vieram os irmãos e suas mulheres, vieram os filhos dos irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantaram com as janelas todas abertas, no nono andar. Um avião estremecia, ameaçando no calor do céu. Apesar de ter usado poucos ovos, o jantar estava bom. Também suas crianças ficaram acordadas, brincando no tapete com as outras. Era verão, seria inútil obrigá-las a dormir. Ana estava um pouco pálida e ria suavemente com os outros. Depois do jantar, enfim, a primeira brisa mais fresca entrou pelas janelas. Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e humano. As crianças cresciam admiravelmente em torno deles. E como a uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando todos foram embora e as crianças já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que olhava pela janela. A cidade estava adormecida e quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fora um estouro do fogão, o fogo já teria pegado em toda a casa! pensou correndo para a cozinha e deparando com o seu marido diante do café derramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que foi?! gritou vibrando toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se assustou com o medo da mulher. E de repente riu entendendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não foi nada, disse, sou um desajeitado. Ele parecia cansado, com olheiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas diante do estranho rosto de Ana, espiou-a com maior atenção. Depois atraiu-a a si, em rápido afago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não quero que lhe aconteça nada, nunca! disse ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Deixe que pelo menos me aconteça o fogão dar um estouro, respondeu ele sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuou sem força nos seus braços. Hoje de tarde alguma coisa tranqüila se rebentara, e na casa toda havia um tom humorístico, triste. É hora de dormir, disse ele, é tarde. Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando-a do perigo de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabara-se a vertigem de bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-8892038407481190760?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/8892038407481190760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/8892038407481190760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/8892038407481190760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2010/02/amor.html' title='Amor'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-7867024232983972349</id><published>2009-11-19T12:18:00.001-08:00</published><updated>2009-11-19T12:31:53.566-08:00</updated><title type='text'>Discursos Sinceros</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://boock.files.wordpress.com/2008/09/infidelidade-grande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 400px; height: 343px;" src="http://boock.files.wordpress.com/2008/09/infidelidade-grande.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por Paulo Rebelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo gira, os anos passam, o buraco de ozônio aumenta e as pessoas continuam a acreditar em discursos seculares sem propósito algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos nos separar, mas vamos continuar amigos, diz a fulana para as colegas na academia de ginástica. Por mais que você acredite neste discurso, no fundo sabe ser humanamente impossível gostar muito de alguém e vê-la nos braços de outra pessoa e ainda ser aquele amigo para as horas de angústia ou alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É balela do tipo premium.&lt;br /&gt;Convívio civilizado não é amizade. E às vezes é pura necessidade quando há filhos na equação.&lt;br /&gt;Ex-namorados podem ser amantes, nunca amigos. Se forem, na prática é porque nunca sentiram nada realmente comovente ou foi só um passatempo ou namorico de adolescência.&lt;br /&gt;Em geral, um dos dois sempre vai gostar mais do que o outro. E não vai engolir essa de amizade depois que a gente vai embora. Até tentam, mas não leva muito tempo para um dos lados pedir penico e sumir do mapa. A gente conhece outras pessoas, se apaixona novamente, casa e tem filhos, se separa, casa de novo, mas ninguém fica amigo de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nem Albert Einsten conseguiu decifrar os mistérios matemáticos do tempo, os casais acham que vão conseguir a proeza quando pedem “um tempo”. Metade das vezes, se você pede um tempo é porque está de olho em outra pessoa e quer ter a certeza que vai dar certo com ele (ou ela), nunca é para refletir coisa alguma. Na outra metade das vezes, é um jeito relativamente sincero de dizer que aquilo não vai dar certo em tempo algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma pequena parcela das situações, os casais voltam a se encontrar depois do tal tempo. E até tentam se reconciliar. E funciona até o dia em que você descobre que o tempo serviu para um dos lados dormir com 37 pessoas diferentes que vão se transformar em 37 fantasmas iguais.&lt;br /&gt;Mas os dois melhores discursos são mesmo o da fidelidade e o do ex-marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma mulher compromissada vira para você e faz questão de dizer que é “super fiel”, pode pedir a conta do jantar e ir para o motel. É batata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém lhe diz que nunca fez “isso” antes, é porque já pulou mais cercas do que as ovelhinhas carnudas de Abrãao no Velho Testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fidelidade nunca foi um registro em cartório. Se alguém precisa dizer com todas as letras, é melhor você aceitar – ou aproveitar! – porque é exatamente o inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a pessoa na sua frente falar mal do ex-marido ou ex-esposa, esqueça. É tesão enrustido, no mínimo. Perceba como todo ex-marido é cafajeste, cachorro, egoísta, não vale um centavo. E toda ex-mulher é louca, surtada, ignorante e ruim de cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais lógico seria a gente perguntar: e você precisou casar com ele para descobrir?&lt;br /&gt;Nada, foi preciso mesmo casar e ter filhos para descobrir a verdadeira face do mal, do carcará, do anhangá-tinhoso, do cão chupando manga, do belzebu disfarçado de ex-marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a gente mantém a civilidade e concorda, faz até coro e dá apoio, principalmente se a divorciada for bonita. Mesmo quando a gente acha que em boca fechada não entra mosquito. Vai que no futuro sobra uma casquinha para você, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem jeito, nem assim, todos vão continuar falando mal do ex para todos os novos pretendentes, como se fosse um atestado de interesse por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os discursos são realmente infáliveis e a lista é extensa. Tem o tal do “foi só um beijo”, tem aquele “somos apenas bons amigos”, além do imbatível “foi apenas uma vez” ou “não significou nada”. Geralmente não significa nada mesmo, o problema é definir o grau de intensidade do “nada” para você e para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a gente gosta tanto de alguém que ainda acredita nessas pequenas mentiras mesmo quando não acreditamos nem no começo. É o tal do bem maior. Ou do medo de perder, sem entender que às vezes a perda é o nosso maior ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema do discurso não são as palavras em si, é a necessidade que as pessoas têm de querer empurrar essas mentiras verdadeiras goela abaixo. Dos outros. É como uma verdade universal oriunda de uma sinceridade que simplesmente não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia que a gente aprender a dar menos valor às palavras e mais valor às atitudes, quando uma pessoa abrir a boca para soltar um discurso infálivel você pode voltar para casa com a consciência tranquila por ter ido embora antes de ouvir o resto da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente, seria um mundo inalcançável quando as mulheres vão parar de fazer questão de mostrar às amigas o namorado novo, mesmo sem gostar dele. Até esse dia, resta-nos a complacência de ouvir um clássico “não sinto mais nada por você” e ver nos olhos dela que bastaria o som do primeiro pingo de chuva no chão para ela jogar tudo para o alto e entrar no primeiro táxi com você rumo ao desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque discurso sincero de verdade é aquele que a gente não responde falando. Muito menos escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.rebelo.org/hipopocaranga/2009/discursos-sinceros/"&gt;http://www.rebelo.org/hipopocaranga/2009/discursos-sinceros/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-7867024232983972349?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/7867024232983972349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/11/discursos-sinceros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7867024232983972349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/7867024232983972349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/11/discursos-sinceros.html' title='Discursos Sinceros'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-4076617545838950754</id><published>2009-11-13T09:41:00.000-08:00</published><updated>2009-11-13T09:44:23.799-08:00</updated><title type='text'>Da chegada do Amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_dKvokEdY8Ak/SK6Ta7QvI2I/AAAAAAAAAC8/I4-Q895rBrU/s320/apaixonada_f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 227px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dKvokEdY8Ak/SK6Ta7QvI2I/AAAAAAAAAC8/I4-Q895rBrU/s320/apaixonada_f.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Sempre quis um amor&lt;/span&gt; &lt;p  style="font-style: italic; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;             que falasse&lt;br /&gt;          que soubesse o que sentisse.&lt;br /&gt;          Sempre quis uma amor que elaborasse&lt;br /&gt;          Que quando dormisse&lt;br /&gt;          ressonasse confiança&lt;br /&gt;          no sopro do sono&lt;br /&gt;          e trouxesse beijo&lt;br /&gt;          no clarão da amanhecice.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;            &lt;/span&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que coubesse no que me disse.&lt;br /&gt;          Sempre quis uma meninice&lt;br /&gt;          entre menino e senhor&lt;br /&gt;          uma cachorrice&lt;br /&gt;          onde tanto pudesse a sem-vergonhice&lt;br /&gt;          do macho&lt;br /&gt;          quanto a sabedoria do sabedor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;            &lt;/span&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sempre quis um amor cujo&lt;br /&gt;          BOM DIA!&lt;br /&gt;          morasse na eternidade de encadear os tempos:&lt;br /&gt;          passado presente futuro&lt;br /&gt;          coisa da mesma embocadura&lt;br /&gt;          sabor da mesma golada.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor de goleadas&lt;br /&gt;          cuja rede complexa&lt;br /&gt;          do pano de fundo dos seres&lt;br /&gt;          não assustasse.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que não se incomodasse&lt;br /&gt;          quando a poesia da cama me levasse.&lt;br /&gt;          Sempre quis uma amor&lt;br /&gt;          que não se chateasse&lt;br /&gt;          diante das diferenças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;            &lt;/span&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agora, diante da encomenda&lt;br /&gt;          metade de mim rasga afoita&lt;br /&gt;          o embrulho&lt;br /&gt;          e a outra metade é o&lt;br /&gt;          futuro de saber o segredo&lt;br /&gt;          que enrola o laço,&lt;br /&gt;          é observar&lt;br /&gt;          o desenho&lt;br /&gt;          do invólucro e compará-lo&lt;br /&gt;          com a calma da alma&lt;br /&gt;          o seu conteúdo.&lt;br /&gt;          Contudo&lt;br /&gt;          sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que me coubesse futuro&lt;br /&gt;          e me alternasse em menina e adulto&lt;br /&gt;          que ora eu fosse o fácil, o sério&lt;br /&gt;          e ora um doce mistério&lt;br /&gt;          que ora eu fosse medo-asneira&lt;br /&gt;          e ora eu fosse brincadeira&lt;br /&gt;          ultra-sonografia do furor,&lt;br /&gt;          sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que sem tensa-corrida-de ocorresse.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que acontecesse&lt;br /&gt;          sem esforço&lt;br /&gt;          sem medo da inspiração&lt;br /&gt;          por ele acabar.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          de abafar,&lt;br /&gt;          (não o caso)&lt;br /&gt;          mas cuja demora de ocaso&lt;br /&gt;          estivesse imensamente&lt;br /&gt;          nas nossas mãos.&lt;br /&gt;          Sem senãos.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          com definição de quero&lt;br /&gt;          sem o lero-lero da falsa sedução.&lt;br /&gt;          Eu sempre disse não&lt;br /&gt;          à constituição dos séculos&lt;br /&gt;          que diz que o "garantido" amor&lt;br /&gt;          é a sua negação.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que gozasse&lt;br /&gt;          e que pouco antes&lt;br /&gt;          de chegar a esse céu&lt;br /&gt;          se anunciasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;            &lt;/span&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sempre quis um amor&lt;br /&gt;          que vivesse a felicidade&lt;br /&gt;          sem reclamar dela ou disso.&lt;br /&gt;          Sempre quis um amor não omisso&lt;br /&gt;          e que sua estórias me contasse.&lt;br /&gt;          Ah, eu sempre quis um amor que amasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-4076617545838950754?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/4076617545838950754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/11/da-chegada-do-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4076617545838950754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4076617545838950754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/11/da-chegada-do-amor.html' title='Da chegada do Amor'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dKvokEdY8Ak/SK6Ta7QvI2I/AAAAAAAAAC8/I4-Q895rBrU/s72-c/apaixonada_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-2538089542326715252</id><published>2009-10-08T08:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T08:20:46.391-07:00</updated><title type='text'>HOMEM-TUPPERWARE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PNtHGsYszes/SdExlECyfgI/AAAAAAAAA3c/RwFuXU9Cduw/s400/tupperware.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 159px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PNtHGsYszes/SdExlECyfgI/AAAAAAAAA3c/RwFuXU9Cduw/s400/tupperware.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;* Xico Sá&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha amiga M.Y. se especializou em pegar aquele tipo de homem noturno e boêmio que não economiza nos tragos e, invariavelmente, retorna para o rancho sem condições técnicas para a conjunção carnal ou qualquer abofelamento que possa se chamar de sexo. São os melhores, ela prega: a excelência, o suprassumo, o filé em matéria de abate e diversão em tempos modernos. A este ser avulso, clandestino e simpático, que à noite ronda a cidade, batizamos de homem-tupperware.&lt;br /&gt;A desalmada M.Y., típica predadora do ciclo do macho perdido, nos explica a terminologia adotada no folclore baladeiro: trata-se do sujeito que a gente guarda no final da noite para comer na manhã seguinte. O homem-tupperware, ela diz, com toda a sinceridade desse mundo, é o novissimo Casanova, um monstro na cama, um demônio, desde que seja respeitado no seu intocável estado de porre. Ele desperta com a fúria dos grandes e imbatíveis amantes, relata a moça, ainda com os lábios febris a derreter o gloss da tara e do desejo.&lt;br /&gt;O macho desse gênero é uma dócil criatura que não dá quase trabalho, prossegue a bela afilhada de Balzac, um mulherão para 300 talheres. Segundo M.Y., esse tipinho de homem se encontra ali na faixa dos 40 ou mais, já foi casado ou se trata de um solteiro convicto e não vai grudar na barra da sua saia como faria um imaturo homem mais jovem.&lt;br /&gt;O sujeito que se guarda como a um bom fiambre no tupperware, reforça a amiga, é um homem quase perfeito: apaga assim que deita na cama, portanto não corre o risco de desfiar besteiras ou tecer falsas promessas. É praticamente um homem sem mentiras, o que se torna um épico em se tratando da raça, diz M.Y., com mais uma demão nas suas peculiares tintas do exagero.&lt;br /&gt;A criatura do gênero nem sempre percebe a sua condição de presa guardada para o abate matinal. A não ser os profissionais do ramo, figuras menos machistas que flanam pela noite com o desapego e o lirismo de um poeta do século XIX. Estes adoram e ainda fazem sonetos, com odes ao acaso, enquanto a predadora ingere sua inocente tigelinha de iogurte com cereais.&lt;br /&gt;Para M.Y., é bom que se frise, pouco importa se o tal sujeito tem pendores românticos ou não passa de um tosco que usa apenas 10 por cento da cabeça animal. O que vale é a serventia da presa, ri a desgraçada, enquanto mapeia a geografia boêmia para os próximos ataques como um tubarão recifense que mira as canelas dos surfistas mais cevadinhos de Boa Viagem.&lt;br /&gt;Sim, a amiga especialista reconhece: com a lei seca no volante diminuiu um pouquinho, um pouquinho de nada mesmo, o número de homem-tupperware dando sopa nos bares e botecos. Esse tipo de macho, além de prevenido, tem uma confiança danada no próprio taco –já sai de casa dando como certa a carona do bonde chamado desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;* Texto extraído do blog do autor: &lt;a href="http://www.carapuceiro.zip.net/"&gt;http://www.carapuceiro.zip.net/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-2538089542326715252?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/2538089542326715252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/10/xico-sa-minha-amiga-m.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/2538089542326715252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/2538089542326715252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/10/xico-sa-minha-amiga-m.html' title='HOMEM-TUPPERWARE'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PNtHGsYszes/SdExlECyfgI/AAAAAAAAA3c/RwFuXU9Cduw/s72-c/tupperware.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-4732234584114373906</id><published>2009-08-24T12:32:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T12:45:57.682-07:00</updated><title type='text'>Engravidou na porrada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SpLtMrWetVI/AAAAAAAAARE/FnrbSL0rxiI/s1600-h/image_6%5B1%5D.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373618107457647954" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 247px; CURSOR: hand; HEIGHT: 156px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SpLtMrWetVI/AAAAAAAAARE/FnrbSL0rxiI/s200/image_6%5B1%5D.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Por Eduardo Haak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Alô, digo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;E aí, Edu, meu amigo diz. Tudo certo?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Tudo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ele pergunta se estou sentado. Digo que estou deitado, lendo jornal. Aí ele fala, ó, me dê os parabéns que eu vou ser pai.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O quê?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;É. Vou ser pai.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Hum. Não sabia que você estava namorando. Ou que tinha se casado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Sei lá. Tô namorando. Não tô. É a Fabiana.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Fabiana? Aquela que era, entre aspas, uma página definitivamente virada em sua vida?, digo, rindo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Pois é. A gente voltou a sair há um tempo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eu disse, cara, eu sei lá, transar com ex pra mim... transar com ex pra mim é meio que incesto. Bom, e aí? Foi acidental a coisa, eu suponho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Foi. Literalmente acidental.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Hum.A gente estava dando umazinha no carro.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Sei.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eu fui deixá-la em casa, lá na Pompeia, aí a gente começou a dar uns malhos, a coisa foi esquentando, ela subiu no meu colo, a filha-da-puta estava sem calcinha, cara, não teve jeito, eu tirei o pau pra fora e enfiei nela.Sem camisinha, é claro.Edu, eu conheço a Fabiana.Conhece, ô se conhece. Tanto é que, quando me falou dela pela primeira vez, disse que ela era conhecida como a boqueteira number one da academia.Isso é passado. Quem é que não fez um estágio na galinhagem nessa vida?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Concordo, o.k. Eu só acho que essa coisa sua de sair trepando por aí sem camisinha meio temerária. Meio, não. Totalmente temerária.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eu não saio por aí trepando sem camisinha. E você é muito paranoico, Edu.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;É. Talvez eu seja.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Pô, lembra aquela vez lá na Limelight, você enfiou o dedo na b----- de uma coroa, depois viu que estava com um machucadinho, você tinha arrancado uma daquelas pelinhas perto da unha, aí você ficou desesperado, achando que ia morrer de aids?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Foi na Up and Down. E vocês foram bem filhos-da-puta. Ficaram contando piada do Cazuza pra mim.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Como é que era a piada mesmo?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;"Você viu que o Cazuza tá surdo?" "É mesmo?" "É. Jesus chama, chama, chama ele, só que ele não escuta.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;"Meu amigo ri e diz, então, deixa eu te contar o resto da história. A gente estava lá no carro, você sabe que eu sei me controlar bem, se eu quiser trepar uma noite inteira sem gozar eu consigo, na boa, só que aí vinha um carro descendo a Diana, acho que o cara estava bêbado, só podia estar, pra fazer a cagada que ele fez, eu só sei que quando percebi eu só senti o tranco, pumba.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O cara bateu no seu carro, parado?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Bateu.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Puta merda.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Uma puta porrada na lateral. E o corno fugiu, é lógico. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;E aí?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;E aí que, no susto, sei lá, descarga de adrenalina, eu perdi o controle. Eu gozei. Gozei dentro dela.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Quer dizer então que a coisa foi uma porrada. Literalmente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Literalmente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Bom, meu caro, o que eu posso te dizer? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Parabéns.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Obrigado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Já escolheram o nome do bebê?Ainda não. Sugere algum?Sei lá. Twingo? Clio? Pode ser Belina, se for menina.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-4732234584114373906?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/4732234584114373906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/08/engravidou-na-porrada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4732234584114373906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4732234584114373906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/08/engravidou-na-porrada.html' title='Engravidou na porrada'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SpLtMrWetVI/AAAAAAAAARE/FnrbSL0rxiI/s72-c/image_6%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-4180237448394872237</id><published>2009-07-02T10:59:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T11:06:00.922-07:00</updated><title type='text'>O Criscão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/Skz12W_ux5I/AAAAAAAAAOc/MFwgiQWcWHQ/s1600-h/RFA099.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353924371271305106" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/Skz12W_ux5I/AAAAAAAAAOc/MFwgiQWcWHQ/s200/RFA099.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Por Aguinaldo Valença&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Longe de mim a intenção de desrespeitar ou mesmo discutir, assuntos relativos às religiões, crenças, seitas ou opiniões de quem quer que seja sobre o tema, mesmo quando tenho convicção. Respeito a todos, sem distinção. Mas, permito-me o direito, de aos sessenta e um anos de idade, na qualidade de católico e de convivência pacífica com Adventistas do Sétimo Dia, externar os meus pontos de vista sobre o assunto. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não sou vidente, não tenho premunições, tampouco conhecimento profundo sobre a matéria. Mas diante da tantas evidências em voga na atualidade, não preciso de nenhum poder sobrenatural para enxergar que o TÃO está sendo engolido pelo CÃO. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Desde os tempos de criança, quando estudava catecismo, ouço estórias mirabolantes de todas as crendices. Umas muito penosas outras já nem tanto. Questionava algumas. Como exemplo: Natal, quando um anjo desce sobre a terra e diz:” eu vos anuncio uma grande alegria!” e essa alegria nunca chega. Continua tudo do mesmo jeito, faz dois mil anos. Os anjos restantes ficavam no céu, cantando e tocando trombetas, desejando paz aos homens de boa vontade. Os sobrantes saiam mundo a fora, pelas casas, distribuindo presentes às crianças cujos pais tinham dinheiro para comprar. Aos pobres, miseráveis e inocentes, não lhe concediam nenhum presente. Sempre se arrumava uma historia de trancoso para justificar essa falha divina. Às vezes alegavam que eles não mereciam, por conta de alguma desobediência, fosse aos pais, aos professores ou mesmo aos mais velhos. Impingiam nesses inocentes, um sentimento de culpa que não tardaria em virar revolta e cujas imprevisíveis conseqüências não demorariam. Tudo isso a custa de mentiras para sustentar uma cristandade falsa. Tamanha injustiça fazia nascer o sentimento de inveja pelo alheio, alem de criar dúvidas sobre a existência de um Deus que só agradaria aos ricos. Questionava também a quantidade de anjos a distribuir presentes pelas casas de todo o mundo. Achava que tinha anjo de mais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Histórias desse tipo me faziam pensar e questionar a sua veracidade. Até hoje não as engulo por achar que não têm sustentação alguma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sofrimentos desnecessários impostos às pessoas, como justificativas de provações, também me intrigavam. Provações a que e por quê? Castigos divinos por pura vingança. Pobres sempre perseguidos pelos ricos. Ricos malvados, sanguinários, injustos por não querer dividir fortunas oriundas muitas vezes, de sacrifícios de vida etc. fatos esses nos foram ensinados, principalmente pela igreja católica que sempre pregou isso, como forma de lavar a mente pensante, quando ainda em formação. Tudo isso achava muito estranho. Acho até que havia concorrência por fortunas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, quando freqüento a minha igreja, - da qual eu não tenho nenhuma ripa sequer, por conta de algum casamento ou missa de defunto, atenho-me às imagens e não vejo nenhuma contente, sorrindo. Só vejo imagens tristes, chorando, com lanças cravadas no coração, coroas de espinho e outras coisas tristes que compõem o cenário do templo consagrado ao culto de alguma divindade. Pura demagogia, para melhor lavar a mente dos de boa e má fé. Observo, por conseguinte, que naquele tempo já existiam barbáries iguais ou piores das que estamos vivenciando nos dias de hoje, e. como antigamente, quase sempre quem paga é o inocente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Do Hinduismo, passando pelo Judaísmo, o Budismo, Cristianismo, Pelas culturas Maias e Incas, sem falar nos Índios e nos povos Africanos, vemos que o mundo verte sangue todos os dias. Sangue de guerras, de genocídios, de cataclismo e de outras tantas formas violentas por obra e graça do Satanás que tenta os humanos, desde os primórdios. Hoje vivemos na era do Banditismo. Acredito até que o anjo Lúcifer já tenha conseguido dois terços dos anjos revoltosos, e não um terço apenas, como na história. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Homem de boa vontade, só se for boa vontade para si. O que se vê são pessoas cheias de ódio e rancor, ávidos por desejos espúrios, corruptos, egoístas, que roubam, matam estupram, sem se importar idade ou graus de parentesco. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, religiões que proliferam a cada dia, cuja finalidade é tirar na marra, os parcos recursos dos miseráveis, desesperados, que acreditam em falsas promessas e milagres inverossímeis. Os meios de comunicação tomados por diversas seitas, dia e noite, promovendo uma lavagem cerebral cotidiana, nas mentes cheias de esperanças. A imperiosa globalização, por sua vez, está ruborizando as pessoas, tirando-lhes os sentimentos nobres e impingindo-lhes os sentimentos mesquinhos, onde prevalecem os vícios capitais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que existe hoje é Satanás. Um monte deles. É nossa mente dividida entre o Céu e o Inferno, sem saber discernir para que lado vá. Como dizia um sábio chinês, quando indagado sobre qual dos dois cachorros que brigam diariamente na nossa mente ganharia a briga, ele respondeu: o que estiver mais bem alimentado. Neste caso, o segundo está predominando.&lt;br /&gt;Aliada a isso, vem na retaguarda, à famigerada política, praticando atos, através dos seus membros, que envergonham a todos de bom senso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Preocupa-me o tipo de gente que teremos mais adiante. Qual a conduta adequada a seguir? Em quem um filho irá se espelhar daqui a bem pouco tempo? No pai que vive a custa do que lhe dão, de esmolas, ou num espertalhão que vive iludindo a sociedade com todo tipo de mentira? Acho que a criança já vai nascer com o gene tendencioso ao errado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No meu entender, quando perceberem que nada do que lhes está sendo apregoado acontece, aconteceu e nem vai acontecer, vão lutar por uma mudança radical na sociedade político-religiosa. Em isso ocorrendo, por certo, haverá derramamento de sangue novo e de gente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não me incomoda o fato de ser um CRISCÃO, mas, um Criscão verdadeiro, sem demagogia, justo, sincero e honesto com o meu semelhante.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-4180237448394872237?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/4180237448394872237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/07/o-criscao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4180237448394872237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/4180237448394872237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/07/o-criscao.html' title='O Criscão'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/Skz12W_ux5I/AAAAAAAAAOc/MFwgiQWcWHQ/s72-c/RFA099.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-3680888059859597259</id><published>2009-06-29T12:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T12:45:13.736-07:00</updated><title type='text'>Flores</title><content type='html'>&lt;a style="font-family: trebuchet ms; font-style: italic;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SkkZStr5RZI/AAAAAAAAAOM/167Y08XhaSI/s1600-h/flowers_by_lildevl.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 165px; height: 246px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SkkZStr5RZI/AAAAAAAAAOM/167Y08XhaSI/s200/flowers_by_lildevl.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352837441398588818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Por Hugo de Andrade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;pre style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;As flores&lt;br /&gt;são mágicas,&lt;br /&gt;assim como as palavras&lt;br /&gt;que eventualmente&lt;br /&gt;nos prendem,&lt;br /&gt;nos libertam,&lt;br /&gt;dilaceram, esmagam&lt;br /&gt;amam e afagam.&lt;br /&gt;Ambas criam&lt;br /&gt;Momentos.&lt;/pre&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-3680888059859597259?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/3680888059859597259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/flores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3680888059859597259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/3680888059859597259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/flores.html' title='Flores'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SkkZStr5RZI/AAAAAAAAAOM/167Y08XhaSI/s72-c/flowers_by_lildevl.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-1752489793578571933</id><published>2009-06-18T07:05:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T07:08:30.861-07:00</updated><title type='text'>Eu não sei se já vi uma bromélia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjpKJKPMXUI/AAAAAAAAAM8/sFIupyCowSk/s1600-h/RF245660.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 158px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjpKJKPMXUI/AAAAAAAAAM8/sFIupyCowSk/s200/RF245660.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348669028683242818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-style: italic;"&gt;Por Júlio Castro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem eu tive a impressão de ter visto uma bromélia. Enfim, pra ser sincero eu não sei bem se era, já que eu acho que nunca vi uma bromélia antes. Mas eu estava passando perto de sua casa e me lembrei daquele dia em que seu tênis desamarrou e estava chovendo bastante e eu parei pra amarrar. E me ajoelhei e sujei todo meu joelho de lama e você pra me sacanear tirava o pé toda hora e eu comecei a correr atrás de você. Nos sujamos de barro naquele dia e pelo que me lembro não tinha nenhuma bromélia por lá. Ou podia até ter, já que eu não sei se antes disso eu já tinha visto uma bromélia. Nós rimos tanto naquele dia da chuva porque você passou um dedo de barro no meu rosto e eu passei um pouco de lama em seu cabelo, ou acho que foi o vinho que tínhamos tomado sob aquele sol frio de outono, ou foi o riso frouxo que sempre fez parte do nosso repertório de músicas bregas, ou sei lá, só rimos porque estávamos felizes naquele dia de chuva em que seu cadarço desamarrou e eu abaixei para amarrar. E tomamos banho de chuva pra limpar a lama do rosto, do joelho, do pé, do cabelo. E enrugamos os dedos de tão molhados. E ficamos nos beijando na garoa. E corremos como loucos atrás de um chuveiro quente. E naquele dia eu fui tão feliz que doía demais o medo de não ser tão feliz no dia seguinte. E eu não sei se fui. Não… não sei se me expressei bem. Não é que não tenha sido feliz em outros dias. É que não sei falar de outros dias tão bonitos como aquele. Assim como não sei falar das bromélias. É que não sei se já as vi. E não sei se os senti. Mas eu acho que vi uma bromélia hoje. Que eu nem sei se era uma bromélia de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-1752489793578571933?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/1752489793578571933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/eu-nao-sei-se-ja-vi-uma-bromelia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/1752489793578571933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/1752489793578571933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/eu-nao-sei-se-ja-vi-uma-bromelia.html' title='Eu não sei se já vi uma bromélia'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjpKJKPMXUI/AAAAAAAAAM8/sFIupyCowSk/s72-c/RF245660.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-2465234075433667045</id><published>2009-06-17T13:02:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T13:04:31.342-07:00</updated><title type='text'>Mulher de 30</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjlMGEgjnMI/AAAAAAAAAM0/j9b5Yvqo2hw/s1600-h/prata.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 192px; height: 163px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjlMGEgjnMI/AAAAAAAAAM0/j9b5Yvqo2hw/s200/prata.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348389699652394178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Por Mario Prata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; as       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;espanta&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; é       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;, de       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;repente&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;,       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; percebem       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; balzaquianas.       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; poucas balzacas leram A       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;Mulher&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; de Trinta, do Honoré de Balzac,       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;escrito&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; há       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; de 150       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;. Olhe o       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt; diz:&lt;/span&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;“Uma       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta       &lt;st1:verbetes&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt; tem       &lt;st1:verbetes&gt;atrativos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;irresistíveis&lt;/st1:verbetes&gt;. A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;jovem&lt;/st1:verbetes&gt; tem muitas       &lt;st1:verbetes&gt;ilusões&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;muita&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;inexperiência&lt;/st1:verbetes&gt;. Uma       &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; instrui, a       &lt;st1:verbetes&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;quer&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:hm&gt;aprender&lt;/st3:hm&gt; e acredita       &lt;st3:hdm&gt;ter&lt;/st3:hdm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;dito&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt; despindo o       &lt;st1:verbetes&gt;vestido&lt;/st1:verbetes&gt;. (...)       &lt;st1:verbetes&gt;Entre&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt; duas há a       &lt;st1:verbetes&gt;distância&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;incomensurável&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; vai do       &lt;st3:dm&gt;previsto&lt;/st3:dm&gt; ao       &lt;st1:verbetes&gt;imprevisto&lt;/st1:verbetes&gt;, da       &lt;st1:verbetes&gt;força&lt;/st1:verbetes&gt; à       &lt;st1:verbetes&gt;fraqueza&lt;/st1:verbetes&gt;. A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta       &lt;st1:verbetes&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt; satisfaz       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt;, e a       &lt;st1:verbetes&gt;jovem&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;sob&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;pena&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; sê-lo,       &lt;st1:verbetes&gt;nada&lt;/st1:verbetes&gt; pode       &lt;st3:hm&gt;satisfazer&lt;/st3:hm&gt;”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;Madame&lt;/st1:verbetes&gt; Bovary,       &lt;st1:verbetes&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt; francesa trintona,       &lt;st1:verbetes&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;tão&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;maravilhosa&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;criador&lt;/st1:verbetes&gt; chegou a       &lt;st3:hm&gt;dizer&lt;/st3:hm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;diante&lt;/st1:verbetes&gt; dos       &lt;st1:verbetes&gt;tribunais&lt;/st1:verbetes&gt;: “&lt;st1:verbetes&gt;Madame&lt;/st1:verbetes&gt;        Bovary c’ést moi”.  E a Marylin Monroe       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; fez       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;aquilo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;entre&lt;/st1:verbetes&gt; 30 e 40?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt; voltemos à       &lt;st1:verbetes&gt;nossa&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta, a brasileira-tropicana,        aquela       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; podemos       &lt;st3:hdm&gt;encontrar&lt;/st3:hdm&gt; na       &lt;st1:verbetes&gt;frente&lt;/st1:verbetes&gt; das       &lt;st1:verbetes&gt;escolas&lt;/st1:verbetes&gt; pegando os       &lt;st1:verbetes&gt;filhos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; num       &lt;st1:verbetes&gt;balcão&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st1:verbetes&gt;bar&lt;/st1:verbetes&gt; bebendo       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;chope&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;sozinha&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Sim&lt;/st1:verbetes&gt;, a       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta bebe. A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta é       &lt;st1:verbetes&gt;morena&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Quando&lt;/st1:verbetes&gt; resolve       &lt;st3:hm&gt;fazer&lt;/st3:hm&gt; a       &lt;st1:verbetes&gt;besteira&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st3:hm&gt;tingir&lt;/st3:hm&gt; os       &lt;st1:verbetes&gt;cabelos&lt;/st1:verbetes&gt; de amarelo-hebe passam,        automaticamente a terem 40. E o       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;encanta&lt;/st1:verbetes&gt; nas de trinta é       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; parecem       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;vão&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:hm&gt;perder&lt;/st3:hm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;aquele&lt;/st1:verbetes&gt; jeitinho       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; trouxeram dos 20.       &lt;st1:verbetes&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st3:dm&gt;para&lt;/st3:dm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;isso&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt; se preocupam       &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a barriguinha.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta está       &lt;st3:dm&gt;para&lt;/st3:dm&gt; se       &lt;st3:hdm&gt;separar&lt;/st3:hdm&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Ou&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt; se separou.       &lt;st1:verbetes&gt;São&lt;/st1:verbetes&gt; raras as       &lt;st1:verbetes&gt;mulheres&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; passam       &lt;st1:verbetes&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; esta       &lt;st1:verbetes&gt;faixa&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:hm&gt;terminar&lt;/st3:hm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:dm&gt;casamento&lt;/st3:dm&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Em&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;compensação&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;antes&lt;/st1:verbetes&gt; dos quarenta       &lt;st1:verbetes&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt; arrumam o       &lt;st1:verbetes&gt;segundo&lt;/st1:verbetes&gt; e       &lt;st1:verbetes&gt;definitivo&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;A       &lt;st1:verbetes&gt;grande&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;maioria&lt;/st1:verbetes&gt; têm       &lt;st3:dm&gt;dois&lt;/st3:dm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;filhos&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Geralmente&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;casal&lt;/st1:verbetes&gt;. As       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; tiveram       &lt;st1:verbetes&gt;filhos&lt;/st1:verbetes&gt; se tornam       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;perigo&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; estão       &lt;st1:verbetes&gt;ali&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;pelos&lt;/st1:verbetes&gt; 35.       &lt;st1:verbetes&gt;Periga&lt;/st1:verbetes&gt; pegarem o       &lt;st3:dm&gt;primeiro&lt;/st3:dm&gt; quarentão       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; encontrarem       &lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;frente&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Elas&lt;/st1:verbetes&gt; querem       &lt;st3:hm&gt;casar&lt;/st3:hm&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;Elas&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; saibam,       &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt; as       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; bonitas das       &lt;st1:verbetes&gt;mulheres&lt;/st1:verbetes&gt;. Acho       &lt;st1:verbetes&gt;até&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a       &lt;st1:verbetes&gt;idade&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mínima&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:dm&gt;para&lt;/st3:dm&gt;       &lt;st3:dm&gt;concurso&lt;/st3:dm&gt; de miss deveria       &lt;st3:hm&gt;ser&lt;/st3:hm&gt; 30       &lt;st1:verbetes&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt;. Desfilam       &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;gazelas&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;embora&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt; tenha       &lt;st1:verbetes&gt;visto&lt;/st1:verbetes&gt; uma (&lt;st1:verbetes&gt;gazela&lt;/st1:verbetes&gt;).        Sorriem e       &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; olham       &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; uns       &lt;st1:verbetes&gt;olhos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;claros&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Já&lt;/st1:verbetes&gt; notou       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt; têm       &lt;st1:verbetes&gt;olhos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;claros&lt;/st1:verbetes&gt;? E as       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; usam uns       &lt;st1:verbetes&gt;cabelos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;longos&lt;/st1:verbetes&gt; e ondulados e ficam a       &lt;st1:verbetes&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;momento&lt;/st1:verbetes&gt; jogando as       &lt;st1:verbetes&gt;melenas&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:dm&gt;para&lt;/st3:dm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;trás&lt;/st1:verbetes&gt;? É de       &lt;st3:hdm&gt;matar&lt;/st3:hdm&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;O       &lt;st1:verbetes&gt;problema&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; esta       &lt;st1:verbetes&gt;faixa&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st1:verbetes&gt;idade&lt;/st1:verbetes&gt; é       &lt;st3:hdm&gt;achar&lt;/st3:hdm&gt; uma       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; esteja terminando alguma       &lt;st1:verbetes&gt;tese&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; TCC. E       &lt;st1:verbetes&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; pergunto: existe       &lt;st1:verbetes&gt;algo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;excitante&lt;/st1:verbetes&gt; do       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; uma       &lt;st1:verbetes&gt;médica&lt;/st1:verbetes&gt; de 32       &lt;st1:verbetes&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;toda&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st1:verbetes&gt;branco&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; o       &lt;st1:verbetes&gt;estetoscópio&lt;/st1:verbetes&gt; balançando no       &lt;st1:verbetes&gt;decote&lt;/st1:verbetes&gt; do       &lt;st1:verbetes&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;jaleco&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;diante&lt;/st1:verbetes&gt; daqueles       &lt;st1:verbetes&gt;hirtos&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;seios&lt;/st1:verbetes&gt;? E       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta guiando       &lt;st1:verbetes&gt;jipe&lt;/st1:verbetes&gt;?       &lt;st3:dm&gt;Covardia&lt;/st3:dm&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta       &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; fez       &lt;st1:verbetes&gt;plástica&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;precisa&lt;/st1:verbetes&gt;. Está       &lt;st1:verbetes&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;cima&lt;/st1:verbetes&gt;.        &lt;st1:verbetes&gt;Ela&lt;/st1:verbetes&gt;, ao       &lt;st1:verbetes&gt;contrário&lt;/st1:verbetes&gt; das de vinte,       &lt;st1:verbetes&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt; ficaram.       &lt;st1:verbetes&gt;Quando&lt;/st1:verbetes&gt; resolvem       &lt;st1:verbetes&gt;vão&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st2:sinonimos&gt;pra&lt;/st2:sinonimos&gt;       &lt;st3:hm&gt;valer&lt;/st3:hm&gt;. Fazem       &lt;st1:verbetes&gt;sexo&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; se fosse a       &lt;st1:verbetes&gt;última&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;vez&lt;/st1:verbetes&gt;. A       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta morde,       &lt;st1:verbetes&gt;grita&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;ninguém&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; finge.       &lt;st3:dm&gt;Mata&lt;/st3:dm&gt; o       &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt;, tenha       &lt;st1:verbetes&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; vinte       &lt;st1:verbetes&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; 50. E o       &lt;st3:dm&gt;hálito&lt;/st3:dm&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;então&lt;/st1:verbetes&gt;? É       &lt;st1:verbetes&gt;fresco&lt;/st1:verbetes&gt;. E os pelinhos nas       &lt;st1:verbetes&gt;costas&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;lá&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st2:sinonimos&gt;pra&lt;/st2:sinonimos&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;baixo&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; parecem       &lt;st1:verbetes&gt;pele&lt;/st1:verbetes&gt; de       &lt;st1:verbetes&gt;pêssego&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; diria o       &lt;st1:verbetes&gt;Machado&lt;/st1:verbetes&gt; se referindo a       &lt;st1:verbetes&gt;Helena&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;infelizmente&lt;/st1:verbetes&gt;,       &lt;st1:verbetes&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt; chegou aos 30?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt; o       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;encanta&lt;/st1:verbetes&gt; nas       &lt;st1:verbetes&gt;mulheres&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta é a       &lt;st3:dm&gt;independência&lt;/st3:dm&gt;. Moram sozinhas e       &lt;st1:verbetes&gt;suas&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;casas&lt;/st1:verbetes&gt; tem       &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:dm&gt;frescor&lt;/st3:dm&gt; das de 20 e a       &lt;st1:verbetes&gt;maturidade&lt;/st1:verbetes&gt; das de 40. Adoram       &lt;st1:verbetes&gt;flores&lt;/st1:verbetes&gt; e       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; cachorrinho       &lt;st1:verbetes&gt;pequeno&lt;/st1:verbetes&gt;. Curtem       &lt;st1:verbetes&gt;janelas&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;abertas&lt;/st1:verbetes&gt;.       &lt;st1:verbetes&gt;Elas&lt;/st1:verbetes&gt; sabem       &lt;st3:hm&gt;escolher&lt;/st3:hm&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;travesseiro&lt;/st1:verbetes&gt;. E amam       &lt;st1:verbetes&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; querem, a       &lt;st1:verbetes&gt;hora&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; querem e       &lt;st1:verbetes&gt;onde&lt;/st1:verbetes&gt; querem. E o       &lt;st1:verbetes&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;importante&lt;/st1:verbetes&gt;: do       &lt;st1:verbetes&gt;jeito&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; desejam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;São&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;fortes&lt;/st1:verbetes&gt; as       &lt;st1:verbetes&gt;mulheres&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta. E       &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; têm       &lt;st1:verbetes&gt;pressa&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st2:sinonimos&gt;pra&lt;/st2:sinonimos&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;nada&lt;/st1:verbetes&gt;. Sabem       &lt;st1:verbetes&gt;onde&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;vão&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st3:hm&gt;chegar&lt;/st3:hm&gt;. E       &lt;st1:verbetes&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; chegam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;Chegam       &lt;st1:verbetes&gt;lá&lt;/st1:verbetes&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;atrás&lt;/st1:verbetes&gt;, no Balzac: “a       &lt;st1:verbetes&gt;mulher&lt;/st1:verbetes&gt; de trinta       &lt;st1:verbetes&gt;anos&lt;/st1:verbetes&gt; satisfaz       &lt;st1:verbetes&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt;”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms; text-align: right;" class="pg"&gt;       &lt;st3:dm&gt;Ponto&lt;/st3:dm&gt;.       &lt;st2:sinonimos&gt;Pra&lt;/st2:sinonimos&gt;       &lt;st1:verbetes&gt;elas&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-2465234075433667045?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/2465234075433667045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/por-mario-prata-o-que-mais-as-espanta-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/2465234075433667045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/2465234075433667045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/por-mario-prata-o-que-mais-as-espanta-e.html' title='Mulher de 30'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjlMGEgjnMI/AAAAAAAAAM0/j9b5Yvqo2hw/s72-c/prata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-5334227702094055361</id><published>2009-06-12T06:21:00.000-07:00</published><updated>2009-06-12T06:31:27.543-07:00</updated><title type='text'>12 de junho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjJXt0c5U6I/AAAAAAAAALQ/jarA8OvgehE/s1600-h/avi%C3%A3o2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 156px; height: 156px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjJXt0c5U6I/AAAAAAAAALQ/jarA8OvgehE/s200/avi%C3%A3o2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346432152327771042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;por André Muhle&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link style="font-family: trebuchet ms;" rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CPARLATO%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt; 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Pra porra nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Quantas pessoas sabem que depois desse episódio,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;12 de junho virou oficialmente o Dia do Correio Aéreo Nacional?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Tá certo que grande parte disso é culpa dos Shoppings&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Centers e das operadoras de telefone que, preocupados em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;vender cada vez mais, fazem filmes lindos para&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;o Dia dos Namorados e esquecem do nosso estimado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Correio Aéreo Nacional. Esse órgão tão importante para&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;o nosso…o nosso…o nosso…o nosso espaço aéreo, claro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Agora vamos aonde eu quero chegar com tudo isso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Se você está aí solteira, abandonada em casa,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;assistindo Um Lugar Chamado Notting Hill e tomando&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;sozinha um pote de Haagen Dazs de Macadamia,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;puta da vida porque hoje é 12 de junho e você&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;não tem motivo nenhum para comemorar,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;está mais que na hora de mudar essa história.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Levante sua cabeça, estufe seu peito e sinta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;um orgulho enorme pelo dia de hoje.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Chame seus amigos e suas amigas solteiras e vá&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;imediatamente para um barzinho mais próximo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ergam seus copos e brindem ao nosso grande,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;único e incomparável Correio Aéreo Nacional.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É o mínimo que se pode fazer para homenagear&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;esse homens que desde 1931 atravessam o céu,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;levando suas cartas para lá e para cá do país.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim, eu espero que de hoje em diante&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;seus 12 de junho nunca mais sejam os mesmos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;E tenho dito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-5334227702094055361?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/5334227702094055361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/12-de-junho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/5334227702094055361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/5334227702094055361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/12-de-junho.html' title='12 de junho'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjJXt0c5U6I/AAAAAAAAALQ/jarA8OvgehE/s72-c/avi%C3%A3o2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3835750374746390693.post-229315804154135117</id><published>2009-06-11T10:32:00.001-07:00</published><updated>2009-06-16T13:17:06.078-07:00</updated><title type='text'>A saudosa arte do encontro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjE_3948JeI/AAAAAAAAAKw/LgObhmNdCPU/s1600-h/ana.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjE_3948JeI/AAAAAAAAAKw/LgObhmNdCPU/s200/ana.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346124463404230114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De onde vem este medo que desenvolvemos de não encontrar o outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra que antigamente não existia celular? Era um mundo estranho, onde as pessoas não se sentiam incompletas sem o aparelhinho por perto. Um mundo diferente, onde as pessoas se encontravam. Era assim, quem queria se ver marcava um encontro. Estipulava-se hora e local, tempo de tolerância, no caso dos mais organizados e, pronto. Não era necessário mais nada. Os encontros podiam acontecer em praças, na praia, no meio da rua, na frente do cinema. Os cinemas ficavam nas ruas. Tinham calçadas na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas antigamências – com licença para o neologismo -, as pessoas simplesmente acreditavam que, se o encontro estava marcado, certamente iriam se ver. Claro, que existiam os bolos, mas estes eram uma maneira muito objetiva de dizer: “Eu não te quero”. Agora, com estas empresas de telefonia doidas, ficamos sem saber se o sms chegou ou não, ou se aquele alguém não quer atender ou esqueceu o celular em casa. Mas na verdade, quem é que anda sem celular? Quem não voltou para buscá-lo quando percebeu que o esqueceu? Quem não checa as ligações perdidas quando a bateria acabou? Se o telefone tocou até cair na caixa e a pessoa nunca retornou, se o sms nunca teve resposta, a mensagem é a mesma: ele(a) não te quer. Quem não tem medo disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sms nunca teve resposta, a mensagem é a mesma: ele(a) não te quer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nos casos em que, finalmente, duas pessoas decidem que querem ou precisam estar juntas, engendram um processo de monitoramento até o tête-à-tête. É mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa 1: - Oi... (O identificador de chamadas já denuncia quem liga)&lt;br /&gt;Pessoa 2: - Oi, tá se arrumando?&lt;br /&gt;Pessoa 1: To, daqui a 5 minutos eu devo estar saindo. Eu aviso.&lt;br /&gt;Pessoa 2: Ok, quando estiver chegando dá uma ligadinha.&lt;br /&gt;Pessoa 1: Ta certo, quem chegar primeiro avisa ao outro.&lt;br /&gt;Pessoa 2: Certo, beijo.&lt;br /&gt;Pessoa 1: Beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa 2: Olha, vou demorar um pouco, está engarrafado aqui. Quando eu chegar te ligo.&lt;br /&gt;Pessoa 1: Ah, ta certo. Eu já estou chegando. Quando chegar, me avisa.&lt;br /&gt;Pessoa 2: Pode deixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze minutos depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa 1: Oi... Cadê tu que não chega?&lt;br /&gt;Pessoa 2: Estou aqui.. Cadê você?&lt;br /&gt;Pessoa 1: Estou aqui também, ué... Cadê você?&lt;br /&gt;Pessoa 2: Ah, estou te vendo! Olha para trás! Mais pra direita, mais um pouco! Agoora! Ta me vendo?&lt;br /&gt;Pessoa 1: Ahh.. Tá, vem. Beijo, Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde vem este medo que desenvolvemos de não encontrar o outro? Será o medo atávico da solidão? Ou será o vício da acessibilidade ininterrupta, do feedback imediato? Será por isso que desistimos tão facilmente das pessoas? Recolher informações sobre um indivíduo ficou tão simples que achamos que não é preciso saber mais nada, está tudo no flicrk ou orkut. E aí, possivelmente, perdemos a oportunidade de ver além da superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes questionamentos inquietam a alma de quem os faz e os deixo para Zygmunt Bauman, que conhece mais da vida e é muito mais sabido do que eu. Mas uma coisa tenho observado: todos queremos encontrar alguém, mas – inseguros que somos – não temos coragem de nos dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Quitéria é Cineasta, jornalista e colunista do JC online:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://jc.uol.com.br/coluna/aleatoria/index.php"&gt;http://jc.uol.com.br/coluna/aleatoria/index.php&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Texto utilizado com autorização da autora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3835750374746390693-229315804154135117?l=bisacodetextos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/feeds/229315804154135117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/saudosa-arte-do-encontro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/229315804154135117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3835750374746390693/posts/default/229315804154135117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bisacodetextos.blogspot.com/2009/06/saudosa-arte-do-encontro.html' title='A saudosa arte do encontro'/><author><name>Erika Valença de Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04451839189552108182</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8IUo6CRhnCc/SjE_3948JeI/AAAAAAAAAKw/LgObhmNdCPU/s72-c/ana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
